Infiltrações: a água quase nunca entra por onde parece

A mancha aparece num sítio e o problema está noutro. Como encontrar a origem antes de gastar dinheiro no sítio errado.

Divisória em placa hidrófuga, zona húmida

A conversa é quase sempre a mesma: há uma mancha no teto, alguém pintou por cima, a mancha voltou. Pinta-se outra vez, volta outra vez. Ao fim do terceiro ciclo, a pergunta certa começa a aparecer — de onde vem a água?

A água anda antes de aparecer

A água entra num ponto, corre por cima da laje ou pelo interior de uma parede, e sai no ponto mais baixo ou mais poroso que encontrar. Esse ponto pode estar a metros do sítio por onde entrou.

É por isso que pintar a mancha nunca resolve: está a tratar a saída, não a entrada.

Onde encontramos as infiltrações, por ordem de frequência

1. Remates, não as telas

Num terraço, o que falha raramente é a tela no meio: é o remate na parede, um rufo curto, uma soleira sem pingadeira, ou o tubo de queda mal selado. A tela é a parte fácil.

2. Juntas de silicone em fim de vida

Numa casa de banho, o silicone entre a base de duche e a parede dura poucos anos. Quando abre, a água passa e o vizinho de baixo é o primeiro a saber. É a reparação mais barata que existe e a que mais se adia.

3. Caleiras e tubos de queda entupidos

Folhas, ninhos, areia. A água transborda e escorre pela fachada abaixo, entrando por qualquer fissura que encontre.

4. Fissuras na fachada

Uma fissura vertical fina numa fachada exposta a sul e à chuva chega para molhar a parede interior ao fim de um inverno.

5. Condensação, que não é infiltração

Manchas escuras nos cantos das paredes exteriores, no inverno, com bolor. Não entra água nenhuma: é o vapor da casa a condensar na superfície mais fria. Resolve-se com isolamento e ventilação, não com impermeabilização.

Como procuramos

  • Vemos por dentro primeiro. No desvão, na garagem, no teto do piso de baixo. O desenho das manchas diz a direção de onde a água vem.
  • Olhamos para a meteorologia. Se a mancha só aparece com chuva e vento de uma direção, isso aponta para uma fachada específica.
  • Fazemos ensaio com água. Molha-se uma zona de cada vez, por ordem, e espera-se. É lento e é o método que dá a resposta certa.

O que não fazer

Não mande impermeabilizar um terraço inteiro antes de saber por onde entra. É a solução mais cara e, se o problema for um rufo, continua lá depois de gastar o dinheiro.

Se tem uma mancha que volta sempre, diga-nos onde é. Vamos ver, e dizemos-lhe o que encontrámos mesmo que a resposta seja que não é connosco.

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